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A BAGUNÇA DA BAGAGEM


Vida, a oitava arte...

Eu sei que coincidências existem, mas algumas são tão improváveis que nos dão a sensação de que existe um grupo de loucos num plano superior, ou inferior para os que têm um pouco mais de senso de humor na vida, criando situações pra confundir a cabeça da gente...


Outro dia na saída do cinema na Laura Alvim (O Conto Chinês), entrei numa daquelas lojinhas do Grupo Estação que eu adoro!!! Nessa loja em especial eles têm muitos filmes antigos. Não resisti e perguntei: “Vocês tem o filme ‘Tarzan contra o mundo’?”. Infelizmente não tinham, mas valeu para despertar a curiosidade do meu namorado, me dando a oportunidade de contar essa história que eu adoro. “Meu pai quando criança foi assistir a esse filme e no meio da projeção a luz acabou. Todos receberam um ingresso e poderiam retornar no dia seguinte para assistir à segunda parte, mas como meu pai costuma dizer, para o Sr. Zacharias Barra, meu avô, a história não era tão simples assim. Não se ia ao cinema todos os dias e um não do velho Barra era incontestável. E com isso meu pai nunca mais assistiu à segunda parte desse filme”. O Márcio, com um carinhoso apelido que às vezes usa em alusão ao filme “Forrest Gump: O Contador de Histórias”, comentou: “Que bela história, minha Gumpizinha”.


Alguns poucos dias se passaram e o Márcio aparece aqui em casa com uma cópia do filme. Ele mesmo providenciou tudo, a cópia, a capa. Um carinho que já não me surpreende mais, mas continua me apaixonando. Enquanto eu estava lá namorando o filme e comovidíssima com o envolvimento dele pelas minhas histórias, vida e família, ele, como uma falta de luz, interrompe a minha emoção: “Preciso te contar uma historinha. E essa é das boas!”. Segundo meu namorado, depois de ter alugado o filme e enquanto se dirigia à empresa que faria a cópia, um senhor bem aprumado lhe segura pelo braço e diz “Hoje é um triste dia para os fãs do Tarzan, não?”. Ele, estático, espera pela continuação da frase tentando entender como diabos o senhor viu o filme dentro da sacola nada transparente, já que não havia qualquer possibilidade de eles terem estado na locadora ao mesmo tempo. Então, o senhor com a voz engasgada, tendo como único intuito o desabafo e sem imaginar que a sua frase iria causar um transtorno irreparável na cabeça do meu amado, completa: “A Chita morreu”.




Escrito por Simone Barra às 11h47
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Se pagar, eu conto.

A voz da moça é simpática: “D. Simone, aqui é da XXXX. A sua opinião sobre o nosso serviço é de extrema importância. Será que a senhora poderia gastar alguns minutos do seu tempo para responder um rápido questionário sobre o nosso atendimento?”. “Claro”, eu respondo com a mesma simpatia e completo: “De quanto será a minha remuneração por esse serviço?”. O silêncio se faz e depois de alguns segundos a moça, auditivamente incomodada, gagueja “Mas nós não remuneramos nossos clientes por responderem a esse questionário”.

Pois deveriam. Toda vez que recebo uma simpática mensagem de algum SAC, que pra mim é abreviatura de departamento de sacanagem, eu tenho vontade de mandar o meu preço. Eles sabem, eu sei que sabem, do quão caro é esse serviço. Gastam fortunas pra empresas especializadas. As empresas contratam funcionários carérrimos para, através de estratégias mirabolantes, pesquisas complicadíssimas e gráficos ininteligíveis, conseguirem descobrir o que se passa na minha cabecinha de consumidor. Mas na hora de seguirem pelo caminho mais fácil e curto que é o de me perguntar o que acho, não coçam o bolso. Isso não é engraçado?

Há cinco anos recebo ligações do Banco Itaú perguntando por um tal de Paulo César. Apesar da minha resposta ser a mesma, mesmo que o tom da resposta já tenha mudado um pouco por conta da minha impaciência, eles insistem. É muito difícil aceitar que o sistema altamente informatizado do Banco Itaú não consiga escrever no cadastro do Sr. Paulo César que o seu número mudou. Eles insistem. Pois bem, já liguei três vezes para o tal departamento de sacanagem do Banco Itaú informando que eu, de acordo com a minha certidão de nascimento, me chamo Simone Barra e não Paulo César, mas eles não me entendem, me ignoram, me desprezam. Mas eu me vinguei. Dois dias depois da minha ligação solicitando pela terceira vez que o meu celular fosse retirado do cadastro do Sr. Paulo César, recebi o retorno do Banco me garantindo que o problema havia sido resolvido e pedindo pra que eu detalhasse como foi o atendimento. Eu então mandei a minha resposta clássica que você, a essa altura do campeonato, já deve imaginar “$$$?”.

Existem outras experiências corriqueiras que também me fazem achar que as empresas me tratam como funcionário e não me remuneram por isso: quando sou obrigada a empacotar minhas compras ou ligar os cabos da Net através de uma assessoria por telefone. A Net gasta minutos, horas do meu valioso tempo pra que eu descubra um problema que eles me criaram. “A senhora está vendo se a luz verde pisca três vezes quando o cabo azul é conectado com o pino amarelo?” (texto obviamente ilustrativo). Não, eu não tenho que ver nada. Eu já pago pelo serviço e consta no contrato que esse valor cobre os custos de assistência. Mas se para darem a assistência eles precisam do meu auxílio, ora, então vamos rachar essa grana, certo? Outro dia no mercado, cansada, resolvi cruzar os braços depois que a menina passou as minhas compras e eu efetuei o pagamento. Eu de braços cruzados enquanto ela “conferia notas”. Ficamos assim por um bom tempo. Até que eu resolvi perguntar: “Você não vai empacotar?”. Ela, sem me dirigir os olhos, respondeu “Eu não sou empacotadora”. Eu, com os braços cruzados, sorri : “E eu sou turismóloga”.



Escrito por Simone Barra às 01h33
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ZONA AFÓTICA

- Qual o nome da região do mar onde não existe luz?

- Casa do cacete - sugere Márcio, meu namorado, como reposta ao perceber o meu desespero.

A pergunta foi feita pelo Thiago explicando a atividade preparada pela turma do colégio para o projeto “Escola Aberta” que aconteceu neste sábado. O projeto tem como objetivo levar as famílias à escola para uma manhã de atividades e recreação. Thiago, animadíssimo, me explicou que eles apresentariam um jogo com perguntas sobre mar. “Tudo muito fácil, mãe”.

Sábado acordamos felizes. Levo Thiago para o colégio e lá espero pela atividade. Os pais entram na sala e recebem um número. Os números são sorteados. Cinco adultos escolhidos e o jogo começa. Eu, que não fui sorteada, fico na torcida, aliviada, e aproveito pra encarnar nos pobres coitados que, nervosíssimos, participam do jogo. “O nome do maior animal do planeta?”. Essa eu saberia, penso eu. Quatro nomes de peixes herbívoros e outras perguntas que a gente só sabe responder na época da escola, deixaram os pais jogadores com cara de idiota no meio de um tabuleiro gigante, enquanto jogavam um dado de pelúcia colorido que, de um a seis, sorteava o próximo vexame. E assim o colégio do meu filho dá mais um tiro no pé. O que deveria ter sido uma manhã de alegria e descontração virou um vestibular e ficou evidente, para adultos e crianças, que muito do que se aprende hoje, certamente será esquecido amanhã.

No final o pai vencedor ganhou três bolinhos cobertos com chantilly e quem participou ganhou somente um. Eu agradeci à minha sorte por ter saído sem bolinhos, sinônimo de menos calorias e nenhum vexame. E nessa manhã aprendi uma coisa, que Pirarucu é um exemplo de peixe que come peixes menores. Pois é, no fundo do mar também tem fdp.



Escrito por Simone Barra às 09h17
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Adoro esse preto!

Juliana é amiga de longa data. Na verdade faz parte do grupo de amigos que tenho que me desorientam porque não se encaixam  em muito do que considero bacana, mas é minha amiga. Essa semana (não acreditem na cronologia desse blog) ela declarou: “Não gosto de feijão. Não gosto do cheiro e nem do gosto do feijão”. Estranhei. Pois eu não posso confiar numa pessoa que não goste de feijão.

O feijão supera a definição de uma leguminosa. Feijão não é simplesmente um caroço preto cheio de ferro. Além de ser um símbolo nacional, o feijão é,pelo menos pra mim, o que de mais vivo existe na minha memória como recordação de uma infância absurdamente feliz. Não existe nada mais cheiroso do que feijão temperado, nada mais gostoso que feijão recém feito e nada mais poético que panela no fogo onze da manhã cozinhando feijão.

Lembro, e até hoje faço, que ao terminar de temperar o feijão minha mãe coava um pouco numa xícara e me dava para beber. Eu não sei se nessa época já existia o famoso feijão amigo nos bares ou se foi D. Baia (minha mamãe) que inventou ali e nunca patenteou. O que eu sei é que hoje vejo no meu filhote a mesma adoração. Quando permitimos, ele come feijão com farinha no café da manhã ou como entrada de qualquer refeição. Assim como eu, ele adora feijão e, ao que tudo indica, terá uma memória boa da infância.

Ah sim, a poesia da panela de pressão existe também ao cozinhar lata de leite condensado para depois, em forma de doce de leite, passar na bolacha. É, bolacha.

Sei lá, acho que acordei com fome...



Escrito por Simone Barra às 08h27
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Não é sério

Essa semana, enquanto recolhia o lixo para jogar fora pensei: “Podia ter lavado a bandeja do frango antes de colocá-la no saco com as outras embalagens”. Atitudes ecologicamente corretas dão trabalho? Muito. Separar lixo, fazer saquinho de jornal para a pequena lixeira do banheiro, guardar as caixas de papelão que pego no mercado para não usar os sacos de plástico, tudo isso é muito chato, mas, apesar disso, continuo. Tem alguma coisa que me diz que pequenas atitudes como as minhas vão dar resultado. É aquela velha história do fazer a diferença. Nesse caso eu acredito, no meu voto não.


Há anos que não voto. Podem criticar, me chamar de maluca, de ignorante político por não exercer o meu principal papel como cidadã, podem falar o que for, mas meu voto o país não tem. Não lembro quando foi a última vez que votei. Lembro somente de como era sincera a minha admiração pelo Mario Covas, único candidato que mereceu o meu esforço e empenho no apoio à sua campanha, mas votar? Não lembro. Lembro que certa vez precisei de um “nada consta” para atualizar o meu passaporte, o que foi resolvido com 21 reais. Mais ou menos 3 reais por eleição que não participei. E assim, pronto, por meros 21 reais eu acertei o meu débito com o país e viajei. Não dá pra ser séria num país como esse. Assistir as propagandas eleitorais só fortalece a minha certeza de que não vale à pena. Outro dia meu filho chorou de tanto rir quando viu a apresentação do Tiririca no Youtube “Isso é sério, mãe?”. Não, não é. Ou melhor, não deveria ser, mas é. E aí finalizo com o comentário de um grande amigo - que também não vota - em resposta a outro  amigo que, criticando, lhe disse "Quem não vota não tem direito de reclamar". E ele, sabiamente, respondeu "E quem vota, reclama?"



Escrito por Simone Barra às 00h03
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Que alguma Deusa a proteja.

Devo assistir ao espetáculo “Não existe mulher difícil” com ator Marcelo Serrado que, me parece, tem a intenção de responder aos tantos outros espetáculos de mulheres reclamando dos homens. Serrado, em entrevista sobre a peça resume “mulher é bicho que sangra todo mês e não morre”. Ok, tudo muito num tom de brincadeira e piada. Até seria se no mesmo momento não vivêssemos a angustiante incerteza quanto ao destino da iraniana Sakineh. Sim, mulher sangra todo mês por questões naturais, mas sangra também por questões culturais e religiosas e, infelizmente, nesses casos morre. Muito fora de propósito foi o depoimento do Sr. Antônio Salgado, embaixador do Brasil em Teerã explicando o mal entendido quanto à proposta de asilo a Sakineh feita pelo Brasil: “A bola está no campo dos iranianos”. Mesmo que a principal questão seja o programa nuclear, não cabe Sr. embaixador, o assunto e momento não pedem esse tipo de metáfora.


Penso no sofrimento dos seus filhos, na dor sentida quando torturada, no medo que a consome daquilo que ainda está por vir. Só penso, porque, apesar  da minha revolta, a sensação de tudo isso está muito distante da minha realidade.



Escrito por Simone Barra às 10h07
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Meias palavras? Hoje não, obrigada.

Semana passada fui assistir ao espetáculo da amiga Rô Sant´Anna “Garçons Celebrities (www.garconscelebrities.com.br). Hilário! A noite já teria sido maravilhosa simplesmente pelo trabalho da Rô, mas ainda fui presenteada com a chegada do queridíssimo amigo Marcos Palito. Para não variar, tivemos uma conversa deliciosa, daquelas de varar a noite. Marcão para os íntimos - e me dou ao luxo de me classificar como tal - no meio do papo me cobrou resultados nos meus vários projetos. Eu culpei o mercado, a Prefeitura, o tempo, a TPM, enfim busquei desculpas das mais variadas possíveis, como sempre. E ele, sem qualquer cerimônia, mandou: “o que te falta é cu”. Grosseiro? Vulgar? Seria, na boca de qualquer um, mas vindo desse cara essa declaração se transforma num ensinamento digno dos mais sábios, de um profeta, quase uma lei divina! (rs) Uma verdade que, ao invés de ofender, me fez pensar o resto da noite me levando à insônia, inclusive. “Falta de cu” não é falta de coragem. Sem querer abusar do trocadilho, e já abusando, é quando o buraco é mais embaixo. É aquela posição de quase inércia. É quando a gente tem a obrigação de ser e não é, tem tudo pra fazer e não faz, tem valor e não acredita. Isso é falta de cú. E aí pensando no que ele disse, o antônimo de falta de cu não é covardia, é cagaço. Cagaço mesmo. Um medo ferrenho de descobrir que você não é aquilo que todo mundo pensa.


Finalizando essa “analogia” (puts rs), hoje é segunda-feira, o dia do terror para qualquer descusado. Início de semana requer planejamento, metas, foco, objetivos. É o famoso dia do “começar a correr atrás”. E pra quem não tem muita certeza, isso vira um suplício.


Pois bem, a hora é essa. Os descusados que me perdoem, mas tô deixando o grupo.  Resolvi encarar a vida de frente, afinal, apesar da “falta de cu”, sempre tive peito pra isso!


...


Saiu na coluna GENTE BOA do Globo nesse domingo que a decoradora Fabíola Brandão garante que está cada vez mais clean a decoração dos quartos de motel. “Estão com a cara de um apartamento da Zona Sul”. A moça tem 12 anos de experiência na área, mas como sou abusada, vou discordar. Sei que não assino por todas as mulheres, mas garanto que muitas irão concordar comigo. Assim como acho estranho espelho no teto e cama redonda nos quartos domiciliares, para mim quarto de motel tem que ter cara de quarto de motel. Acredito que quanto mais cafona melhor. É o momento de o casal explorar a sua criatividade e para isso muitas opções de luz, das coloridas à negra, espelhos, globo espelhado na pista de dança e ainda nela um mastro para uma pole dance, colaboram. Como harmonizar tudo isso num décor chique? Vamos combinar que para ter uma relação em um ambiente clean, a pessoa fica em casa...



Escrito por Simone Barra às 09h36
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Esclarecendo um possível engano

Não existe lugar nesse mundo em que eu me sinta mais à vontade que neste blog. E foi com essa intenção que eu resolvi criá-lo, para expor minhas idéias, desabafar, escrever livremente sem pensar em nada, simplesmente escrever, escrever, escrever. Mas quando eu percebo que as minhas mal traçadas linhas possam ser mal interpretadas e que isso venha a atingir qualquer pessoa, principalmente àquelas com as quais eu mantive ou mantenho algum tipo de relacionamento, isso me incomoda. Assim, venho esclarecer, tomando como base alguns comentários recebidos por e-mail, que o poema escrito abaixo não foi direcionado a ninguém, nem mesmo tive qualquer inspiração em relacionamentos nos quais estive envolvida.



Escrito por Simone Barra às 01h05
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Enganos

Tua casa já me é inóspita
Tal qual minha boca para a tua língua
Tal qual tua pele para a minha pele
E hoje meu todo, num todo, te repele
Teus olhos já não me envaidecem
Tal qual teu cheiro incomoda meu olfato
E é fato que tal qual éramos antes
Já não mais seremos como amantes
Tua vida não me enche os olhos
É bem verdade que nunca o fez
Mas no passado tuas glórias e conquistas
Tuas vitórias eram mais dignas, talvez
Tua voz me enfastia os ouvidos
Teus gemidos quase me levam ao engulho
Tuas carícias machucam meus músculos
Tua sedução não mais me provoca rubor
Tua companhia me remete à tua súcia
E minha súbita questão hoje é
Se é verdade tudo que hoje origina a minha angústia
Será que foi verdade o que chamei de amor?



Escrito por Simone Barra às 01h57
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NEM PRECISO TANTO

Preciso da tua sedução instigando a minha indecência

Da tua pura exaltação desordenando a minha eloqüência

Preciso da tua mão pra me puxar pra qualquer canto

Mas do ar? Eu nem preciso tanto.

Preciso do teu escapulário pra aceitar toda devoção

E das tuas loucas crendices pra desconfiar da minha compaixão

Preciso do teu sacrilégio pra ofender a tudo que é santo

Mas do ar? Eu nem preciso tanto.

Preciso do teu suor pra enferrujar a minha armadura

Da tua insanidade pra achar pouca a minha loucura

Preciso da tua morenice pra colorir o meu corpo branco

Mas do ar? Eu nem preciso tanto

Preciso da tua liberdade pra me prender na tua estrutura

Me enfurnar com a tua essência e não sufocar de tanto você

Consigo até mergulhar no teu oceano sem meu escafandro

Pois de ar, eu nem preciso tanto



Escrito por Simone Barra às 22h25
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Minhas músicas no Pure Volume

http://www.purevolume.com/SimoneBarra

 



Escrito por Simone Barra às 22h45
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Não é falta do que dizer, é só pouca vontade de falar...



Escrito por Simone Barra às 22h31
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Olavo e Curumin, presságios de uma boa semana...

Semana passada recebi de um amigo o poema “Ouvir Estrelas” de Olavo Bilac. Emocionei. Esse poema era declamado pelo meu avô quando eu era criança e, mais tarde, pela minha mãe em tom de brincadeira, um tanto teatral. Na mesma semana ouvi de outro aqmigo a expressão “alma inquieta” se referindo a minha quase que nervosa postura frente aos meus projetos. Alma inquieta, livro do poeta? Hummm, achei uma coincidência bacana e resolvi seguir a dica do momento. Bingo! Vale a transcrição de dois poemas:

Tercetos

I

Noite ainda, quando ela me pedia
Entre dois beijos que me fosse embora,
Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:


“Espera ao menos que desponte a aurora!
Tua alcova é cheirosa como um ninho...
E olha que escuridão há lá por fora!


Como queres que eu vá, triste e sozinho,
Casando a treva e o frio de meu peito
Ao frio e à treva que há pelo caminho?!

Ouves? é o vento! é um temporal desfeito!
Não arrojes à chuva e à tempestade!
Não me exiles do vale do teu leito!

Morrerei de aflição e de saudade...
Espera! até que o dia resplandeça,
Aquece-me com a tua mocidade!

Sobre o teu colo deixa-me a cabeça
Repousar, como há pouco repousava...
Espera um pouco! deixa que amanheça!”

- E ela abria-me os braços. E eu ficava.

II
E, já manhã, quando ela me pedia
Que de seu claro corpo me afastasse,
Eu, com os olhos em lágrimas , dizia:

 

“Não pode ser! não vês que o dia nasce?
A aurora, em fogo e sangue, as nuvens corta...
Que diria de ti quem me encontrasse?

Ah! nem me digas que isso pouco importa!...
Que pensariam, vendo-me, apressado,
Tão cedo assim, saindo a tua porta,

Vendo-me exausto, pálido, cansado,
E todo pelo aroma de teu beijo
Escandalosamente perfumado?

O amor, querida, não exclui o pejo...
Espera! até que o sol desapareça,
Beija-me a boca! mata-me o desejo!

Sobre o teu colo deixa-me a cabeça
Repousar, como há pouco repousava!
Espera um pouco! deixa que anoiteça!”

- E ela abria-me os braços. E eu ficava.

A alvorada do amor

Um horror grande e mudo, um silêncio profundo
No dia do Pecado amortalhava o mundo.
E Adão, vendo fechar-se a porta do Éden, vendo
Que Eva olhava o deserto e hesitava tremendo,
Disse:

“Chega-te a mim! entre no meu amor,
E à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Abençôo o teu crime, acolho o teu desgosto,
Bebo-te, de uma em uma, as lágrimas do rosto!

Vê! tudo nos repele! a toda a criação
Sacode o mesmo horror e a mesma indignação...
A cólera de Deus torce as árvores, cresta
Como um tufão de fogo o seio da floresta,
Abre a terra em vulcões, encrespa a água dos rios;
As estrelas estão cheias de calefrios;
Ruge soturno o mar; turva-se hediondo o céu...

Vamos! que importa Deus? Desata, como um véu,
Sobre a tua nudez a cabeleira! Vamos!
Arda em chamas o chão; rasguem-te a pele os ramos;
Morda-te o corpo o sol; injuriem-te os ninhos;
Surjam feras a uivar de todos os caminhos;
E, vendo-te a sangrar das urzes através,
Se emaranhem no chão as serpes aos teus pés...
Que importa? o Amor, botão apenas entreaberto,
Ilumina o degredo e perfuma o deserto!
Amo-te! sou feliz! porque, do Éden perdido,
Levo tudo, levando o teu corpo querido!

Pode, em redor de ti, tudo se aniquilar:
- Tudo renascerá cantando ao teu olhar,
Tudo, mares e céus, árvores e montanhas,
Porque a Vida perpétua arde em tuas entranhas!
Rosas te brotarão da boca, se cantares!
Rios te correrão dos olhos, se chorares!
E se, em torno ao teu corpo encantador e nu,
Tudo morrer, que importa? A Natureza és tu,
Agora que és mulher, agora que pecaste!
 
Ah! bendito o momento em que me revelaste
O amor com o teu pecado, e a vida com o teu crime!
Porque, livre de Deus, redimido e sublime,
Homem fico, na terra, à luz dos olhos teus,
- Terra, melhor que o céu! homem, maior que Deus!”

O dia é temperado por emoções. Nunca lineares. Enquanto me revolto com a estupidez das declarações e angustiantes descobertas do caso do Bruno, goleiro do Flamengo, também sou presenteada com a dica do show do Curumin, no Oi Futuro. Coloco o fone e começo o dia embalada pelo multiinstrumentista.



Escrito por Simone Barra às 09h17
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Ah, como eu queria estar agora naquela ilha, cercada de você por todos os lados.



Escrito por Simone Barra às 00h56
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Como se mensura uma amizade?

Um grande amigo está hospitalizado. Sofreu um acidente horroroso e depois de um mês no Souza Aguiar foi para um hospital particular pelo plano de saúde. Quando recebi a notícia do acidente quase morri. Nunca imaginei que ele, exemplo pra mim de vida, alegria, diversão, saúde e força, pudesse estar numa situação tão caótica, dependendo de todos e sem qualquer movimento. Vê-lo nessa situação foi uma das experiências mais difíceis da minha vida, mas sem dúvida, o “lidar” com tudo isso tem sido mais difícil ainda.Sempre fomos amigos inseparáveis e, como num casamento, vivemos as fases da alegria e da tristeza, da riqueza e da pobreza, mas foi agora, na “doença”, que eu não soube como agir. Procurei, durante certo tempo, me colocar à disposição para qualquer coisa, mas nunca fui solicitada. Liguei pra ele diversas vezes, mas a voz era sempre tão pouco receptiva que acabei me afastando. Meu pai diz que estou maluca e pergunta abismado: “como cobrar qualquer coisa de uma pessoa na situação em que ele está?”, mas, apesar de saber que o meu pai está certo e de que pra ele (meu amigo) deve ser absurdamente constrangedor e irritante ter que passar por tudo isso, me entristece a idéia de perceber que, pelo menos pra ele, não sou amiga para todas as horas. Entendo seus motivos e Tainah com toda a sua sabedoria “pós duas garrafas de espumante”, me tranqüiliza “você faria o mesmo”. E acho que faria sim. Não deve ser fácil ter ao redor aqueles que sempre te viram como o rei da cocada preta e agora te confortam, enquanto você está deitado numa cama sem movimentos e sabendo que aquela situação não será resolvida de um dia para o outro. Mas dói, machuca, magoa demais saber que aquela pessoa, que certamente seria a primeira a quem você chamaria na hora do sufoco, não te querer por perto por, talvez, vaidade. Tainah, mais uma vez, esclarece “você também não procuraria por ele. Chamaria a sua mãe, sua irmã”. Talvez. Mas me cobro, tenho me cobrado diariamente. Torço pra que esse acidente não lhe deixe nenhuma seqüela, mas receio que elas surjam na nossa amizade...


Certo dia recebi o telefonema da mãe de outro grande amigo, aos prantos, dizendo que uma amiga em comum havia sofrido um grave acidente tendo morrido no local. O desespero da mãe desse meu amigo era justamente por não saber se ele estava junto. Corri para o Lourenço Jorge na tentativa de obter tal informação e, felizmente, soube que ele não estava no carro. Mesmo tranqüila fiquei desesperada tentando falar com ele, ouvir a sua voz, e esse desespero durou um interminável dia. No começo da noite ele me ligou aos prantos dizendo que iria para o velório. Eu me ofereci para fazê-lo companhia. Ele aceitou, mas eu não fui. Motivo? Eu tive vários, mas não importa, até hoje me cobro pelo fato de não ter contornado os diversos problemas que surgiram para estar lá ao seu lado. Continuamos muito amigos e sei que essa cobrança só existe dentro de mim, mas ainda me martiriza muito.

Mais do que um simples relato, esse é um pedido de desculpa aos amigos, todos os amigos que tanto amo, caso em algum momento eu tenha falhado por não ter estado ao lado quando precisaram. 



Escrito por Simone Barra às 23h57
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