Desde sempre o meu intuito, ao criar este blog, foi o de colocar a cara a tapa. Pra que ou por que? Não sei, mas se é pra escrever sobre a minha vida ou sobre aquilo em que acredito que seja sempre a mais pura verdade.
Pois bem, vamos a mais um relato.
Ontem foi a minha primeira consulta com uma psiquiatra. Depois de anos lutando contra um até então “não sei o quê” dentro de mim, com a ajuda de uma prima encontrei essa médica que, após uma hora de conversa diagnosticou: Transtorno de Bipolaridade. Achei fino, quase bacana. A suspeita era de TDAH (Transtorno de Défit de Atenção e Hiperatividade), mas saí de lá com uma bipolaridade... Quer saber? Bem melhor! (rs)
Brincadeiras à parte, saber que você tem uma doença crônica não é legal, mas descobrir que é totalmente possível de se aprender a viver com ela te dá um alívio enorme. Sim porque antes tudo era muito estranho e fugia do meu entendimento. Por que tantos rompantes de raiva? Por que essa oscilação de humor? Como acordar num dia me achando a melhor mulher do mundo e no dia seguinte – ou às vezes no final do mesmo dia – me olhar no espelho e me achar uma merda? Por que ser tão cruel e explosiva com as pessoas? Tudo isso hoje tem uma explicação.
O que me fez chegar ao tratamento foram questões básicas: problemas no trato com o meu filho (rompantes de raiva vão totalmente contra ao que eu julgo como sendo certo numa relação mãe e filho, calcada no respeito e carinho) e prejuízos financeiros. Gastos excessivos? Não, no meu caso não (ainda bem), mas a desorganização, característica de um bipolar, ou melhor a dificuldade com regras, normas e rotina, sempre dificultou demais o meu trabalho. O simples fato de não conseguir dar continuidade a certas tarefas resultam em perda de cliente, logo, prejuízos. Fácil assim.
Mas por outro lado o bipolar é absurdamente criativo e dessa qualidade não abro mão. Assim, com um leve tratamento indicado e já ciente do meu problema, agora é seguir em frente tentando controlar a impulsividade e metendo bronca nos meus projetos. Talvez agora ao invés de dez idéias no papel eu vá conseguir focar em pelo menos uma. Será?
Finalizando, como diz um amigo, tem uma vantagem nisso: quem se relaciona comigo leva duas em uma. Quer coisa melhor? rsrsrs.
Que me desculpem as novas, mas maturidade é fundamental...
Outro dia olhava as fotos da filha de uma amiga e, na minha inocência de balzaca que lida bem com a tecnologia, perguntei "Bela foto, vc colocou algum efeito?". Ela, com certa ironia respondeu "Não Tia, não uso Photoshop". Eu, com minha experiência respondi "Por enquanto minha linda, isso é só uma questão de tempo" (rs). Como muitas já disseram o ruim do envelhecer é a aparência. Por mais que você se trate, pode perder uns aninhos no visual, mas a idade tá ali. Você nunca vai ter 40 anos e aparentar 20. Mas tem um lado muito bom nessa história: o tal do se conhecer e, em se conhecendo, se gostar pra cacete!
Enquanto você, quando nova, se irrita em frente ao espelho e jura achar defeito onde não tem, quando mais velha eles estão lá, claros, muitos, não precisa de qualquer esforço pra encontrá-los. O que você faz? Se irrita? Não. Você assume que perdeu e vai à luta com o que tem. E descobre que tem coisa pra caramba. Nunca me amei tanto. Nunca me curti tanto. E isso não é história de mulher velha que quer convencer às novinhas de que a maturidade é a melhor fase da vida, não. Tem mulher que usa esse discurso na maior dor de cotovelo. Você vê que não é sincero. No meu caso tenho envelhecido da forma como sempre sonhei. Me cuidando, me curtindo e vivendo. Esse é o mistério.
Tem as suas dificuldades, claro que tem. Há pouco tempo vivi uma relação e no final fui “trocada” por uma menina de 25 anos. No início quis morrer. Mas depois tive um entendimento perfeito da situação: eu, como homem, me encantaria pelas mais novas também, elas têm tanto a aprender. Mas viver, viver mesmo, seria com uma mulher. Afinal elas já aprenderam.
Por coincidência, ontem escrevi o que segue abaixo. Uma ode a mim, por que não?
Eu me apaixonaria por mim Que mulher com olhos desse verde não me encantaria fosse eu um homem? Eu acharia interessante o meu engordar e emagrecer repentino E o meu mau humor em frente ao espelho por conta das gordurinhas adquiridas Eu me apaixonaria por mim E pelo delicado movimento dos meus pés na máquina de costura E acharia coisa de bruxa esse transformar de tecido em longos vestidos Sim, eu também gostaria dos curtos e dos recortes Eu me apaixonaria pelos meus decotes e o avantajado dos meus seios Que me fariam a mais fêmea de todas Os dedos dançando nos trastes do violão me fariam romântico se homem eu fosse E comigo estivesse E se acaso eu viesse com uma canção composta exclusivamente para mim Eu me apaixonaria Eu me apaixonaria por mim e pela forma desarrumada como levo a minha vida Sem normas, regras ou rotina. Uma hora prática, outra sensível E num domingo qualquer, vestida de Maria, com avental na cintura, me levaria à loucura com um cardápio requintado, explorando o meu lado ainda mais mulher Eu me apaixonaria por mim na intimidade, pois seria a minha maior verdade, sem limites, sem barreiras, com fantasias no corpo e na cabeça Eu me apaixonaria de verdade e a beça por uma mulher como hoje eu sou e da forma mais imprescindível Me apaixonaria sim, depois de saber de você que isso é totalmente possível....
Semana passada minha mãe, ao chegar em casa com um saco de maças da Turma da Mônica, pode constatar que uma das maças estava mordida. E o saco ainda lacrado. Dias depois da sua ligação à empresa Fischer, responsável pelo empacotamento e distribuição do produto, ela recebeu quatro sacos de maças, intactas, com um belo pedido de desculpas.
Ouvindo relatos como esse me dou conta do quão entregues aos maus atendimentos e serviços estamos sempre. Quer mais um?
Hoje liguei para uma farmácia de manipulação a pedido do meu dentista, para solicitar um ácido que será usado em uma micro cirurgia bucal que farei amanhã. Depois de muito pesquisar, encontrei a tal farmácia que, além de conseguir entregar o remédio, ainda o faria exatamente como solicitado pelo dentista e sem a necessidade do receituário. “Oba!” pensei. Quando o rapaz me disse o preço – R$ 4,00 – achei estranho já que as outras farmácias, além de não entregarem a tempo e ainda exigirem o receituário, me cobraram de 20 a 30 reais pelo mesmo ácido. Preocupada, questionei ao funcionário sobre a diferença de valores. Alguns aqui hão de me achar inocente por informar ao rapaz que as outras farmácias estavam cobrando mais caro. Acontece que eu precisava ter certeza de que o produto manipulado era exatamente o mesmo que o solicitado pelo dentista, tendo em vista que seria usado em uma micro cirurgia como falei. Bom, algumas horas depois o rapaz liga de volta e a conversa se dá mais ou menos como a que segue:
O rapaz - D. Simone, falei com a farmacêutica e ela disse que de fato há uma diferença no valor, pois eu solicitei com a substância X e a senhora quer com a Y.
Eu – Mas meu querido, em momento algum eu solicitei com substâncias diferentes. Pedi o produto de acordo com o que foi prescrito pelo médico.
O rapaz – Sim senhora, eu que coloquei outra base. Por isso tem diferença no valor. O remédio custa 15 reais.
Eu - Então quer dizer que se eu não tivesse reclamado do baixo custo vocês mandariam o produto errado? – questionei.
Não senhora – respondeu rapidamente o funcionário - Antes de mandar fazer o remédio a gente verifica de novo o pedido e pede pra farmacêutica ter certeza de que está fazendo certo.
GAR-GA-LHEI no ouvido do rapaz.
A gente tenta levantar a bandeira pelo nosso país. Até ensaia um discurso patriota contra os que insistem em chamar o Brasil de país de gente desonesta e luta pra apagar de uma vez por todas a imagem, a qual estamos condenados, do famoso “jeitinho brasileiro”, mas cá entre nós, no pé do ouvido e baixinho pra ninguém ouvir: tá difícil.
No intuito de não me estender demais no post “AGARRA-TE A LA BARRA” não transcrevi parte do artigo do João Ximenes Braga, ao que me referi. Mas, lendo-o novamente achei um egoísmo da minha parte não dividir com meus amigos algo tão engraçado. (...) Flutuando no mar, me lembrei do trem que liga um terminal ao outro do aeroporto de Madri em busca da conexão quase perdida. O locutor em inglês, com voz de “the book is on the table”, avisa: - For you security, please hold on. Pausa. Nada dramática, apenas pausa. E entra uma voz a refrasear o aviso em castelhano. Uma voz feminina rouca, sôfrega, sibilante. Imitação barata de Iris Lettieri, mais rouca, mais sôfrega. Por tu securidad... – avisa ela, dando uma pausa, esta sim dramática, para elevar a voz e completar em tom de ordem, tal qual dominatrix: - AGARRA-TE A LA BARRA!
E você que está ali, mal dormido de tarja preta, faz o quê? Tem um acesso de riso. Não adianta, você pensa, a Igreja Católica pode reclamar o quanto quiser, mas nós latinos somos todos sem-vergonha. O moço inglês fala tudo tão sério e a outra me aparece com um “agarra-te a la barra”? Naquele tom?” (...)
BTW: Apesar dos meus quarenta anos, por falta de memória ou total ignorância, fui pega de surpresa com o termo “dominatrix” citado por Ximenes. Crendo na inocência de alguns amigos, segue abaixo o significado encontrado no Wikipédia.
Dominatrix (do latim "dominatrix", que significa "mulher dominadora" ou "mestra") é uma mulher que exerce o papel "dominadora" em práticas de BDSM - Bondage, Disciplina, Sadismo e Masoquismo.
Dominatrix profissional
A Dominatrix profissional é a que exerce a profissão de realizar as fantasias de clientes submissos. Elas podem também ser dominatrix em seu cotidiano, possuindo "escravo pessoal" sem compromisso profissional. Mas muitas são apenas profissionais, e seguem esse emprego apenas pelo alto-pagamento… sem um real comprometimento com a sub-cultura BDSM.
Deve-se lembrar que o BDSM profissional não deve ser considerado prostituição, pois dominatrizes profissionais não estabelecem contatos sexuais com seus clientes.
Eu tenho um amigo maravilhoso. Inteligente, engraçado, absurdamente criativo, companhia agradabilíssima e, no entanto, tem uma mania: NÃO SUPORTA FALAR COM VIZINHOS. É sério. Mesmo quando adolescente, quando a sua mãe promovia reuniões em família, ele se trancava no quarto e só saía ao término do evento. Sempre achei isso um absurdo. Não consigo conceber uma pessoa sem uma vida social saudável. Imagina! Entrar no elevador e não dar um simpático “bom dia”? Não elogiar a elegância de uma vizinha idosa? Não perguntar pelos filhos, netos? Nesse mundo onde os perigos deixaram de existir apenas em áreas de risco e os marginais podem ser nossos vizinhos, tentar estabelecer um convívio harmonioso com todos, pra mim, sempre foi prioridade.
Pois bem, levando a risca o meu manual da boa convivência, sempre fui muito carinhosa com um casal de vizinhos idosos que mora no final do meu corredor. Simpáticos, sempre estão arrumadinhos indo à igreja. Muito seletivos, fui uma das pouquíssimas convidadas para a festa de bodas de ouro comemorada recentemente. Fiquei profundamente lisonjeada, mas um evento em Grumari me impossibilitou de comparecer. No dia seguinte, comprei um belo conjunto de potes de sobremesa e pedi para meu filho entregar-lhes. Eles adoraram! Agradeceram muitíssimo. Assim tínhamos uma ótima relação. Até ontem.
Os poucos amigos que acompanham este blog e/ou têm um contato mais próximo comigo sabem que, atualmente, não sou adepta de nenhuma religião e tenho questionado muitíssimo a existência de Deus. Além disso, e esse comentário fará sentido mais a frente, odeio rotina e obrigações. Salvo aquelas que me dão muito prazer e dinheiro. Bom, outro dia, esta minha simpática vizinha me chamou para o que parecia um assunto sério: “Vou realizar reuniões na minha casa para falarmos sobre a palavra de Deus. Faço questão da sua presença. Posso contar com ela, não posso? Será toda quinta-feira, oito horas da noite”. Eu, pensando rapidamente numa escapatória, tento salvar minha alma e corpo da penitência sugerida “Quinta faço musculação. A palavra de Deus é importantíssima, mas cuidar do corpo também”. Rimos juntas. Achei que o assunto estivesse findado. Que nada... Ontem ela me aparece com um livreto em forma de presente (de grego) “Por sua causa mudamos a reunião para segunda-feira. Serão sete encontros com o Pastor. Não pode faltar. O encontro é rápido, não se estenderá por mais de uma hora”. “UMA HORA?”, pensei eu. Estudei durante sete anos num colégio de freiras. Toda segunda-feira (coincidência?) tínhamos missa. A igreja era de vidro, assim atrás do padre era possível ver a bola saltitando na quadra de vôlei enquanto eu, injuriada, rezava o Pai Nosso e implorava pelo perdão dos meus terríveis pecados. Não sei, mas o convite da minha vizinha fez com que essa memória voltasse rapidamente ao meu pensamento e hoje, pela manhã, fiz questão de entrar no elevador e nem sequer olhar pra cara do cidadão que, simpático, me deu bom dia...
Já escrevi em outro post que, quando falta inspiração ou idéias, recorro a títulos, frases, palavras, imagens. Pois bem, o título de hoje surgiu da coluna do João Ximenes Braga, no Caderno Ela, sábado, 5 de setembro. O texto, hilário, comenta sobre a votação no Rio como “melhor destino gay global”. Mas os assuntos que seguem não tratarão deste tema, só achei engraçado e espirituoso intitular assim um post onde pretendo trazer um emaranhado de comentários a fim de colocar este blog atualizado com a minha vida. ... Outro dia conversava com Eber sobre a experiência de vida de um rapaz gay que conheci recentemente. Depois de 15 anos morando na Europa, mais especificamente em Ibiza, o moço resolveu largar tudo para viver uma experiência de um ano num templo budista. De lá, além dos ensinamentos zen relacionados ao equilíbrio do corpo e mente, o jovem aprendeu a confeccionar um suco de ervas, frutas e sementes que, segundo o próprio, mais parece um elixir da vida e por isso virou o must have (quem disse que esse termo só pode ser usado no mundo fashion?) de atrizes globais. Ao que tudo indica, o suco não lhe rendeu muitos reais e hoje o alquimista ex modelo vive a sua plenitude zen fumando maconha e andando de bicicleta na orla do Recreio. Por que ele largou tudo? “Queria escrever a minha própria história”. Confessa. Eber, atônito, conclui: “Tem gente que não pode pegar a caneta”. ... Enquanto isso na locadora “Bem me quer, mal me quer” com a belíssima Audrey Tautou – sim Alvaro, ela novamente! – que na trama é Angélique, uma artista plástica em ascensão que se apaixona por Loic, um belo e bem casado cardiologista. Mais do que uma paixão, o sentimento da moça se transforma numa obsessão, doença, vício, tornando-a cega e louca. Tenso? De modo algum. Com muito humor o filme retrata o quão imbecis e sem limites nos tornamos quando apaixonados... Tendo também como tema um absurdo desajuste emocional, mas nesse caso usando o sexo como foco, “A professora de piano” incomoda. Práticas de automutilação e cenas de muita agressão física permeiam a rotina da personagem Erika, uma brilhante pianista, vivida por Isabelle Huppert. A trilha do filme é belíssima e o desconforto no final é inevitável. ... GÁVEA, A PEQUENA NOTÁVEL A Gávea foi o bairro onde nasci e cresci. Mentira, nasci na Penha, exatamente em frente ao Parque Xangai, mas vivi cerca de quinze anos nesse pequeno e delicioso bairro com cara de bairro. Não, esse post não é sobre a Gávea. Ela merece um espaço exclusivo neste blog, tal qual fiz para a Barra. Só queria registrar a minha alegria quando a vejo citada como uma “cidade grande”. Outro dia lia sobre a paixão dos artistas plásticos e curadores pela Gávea que hoje tem instaladas, nas suas ruelas, as principais galerias de arte do Rio. E não pára por aí. No caderno Ela desse sábado, uma matéria sobre a grife italiana Studio Pianura ressalta que, com dois mil pontos de venda no mundo, o estilista dono da marca Salvatore Pianura escolheu a Gávea para inaugurar a sua primeira loja na América Latina. Onde? No Shopping da Gávea, evidentemente. Por que? “A idéia é ser bacaninha”. Achei fofo.
Pianura trará muitos vestidos e mesclagem de estampas. A minha cara...rs.
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VOLTA AO MUNDO Ontem, depois de uns cinco anos, reencontrei um querido amigo. Após muitos desencontros, finalmente conseguimos almoçar juntos. O restaurante escolhido foi o Chez Yunes, sugestão dele prontamente aceita por mim. A comida estava boa, o serviço confuso e o papo divertidíssimo. Minha tagarelice foi prenunciada enquanto degustávamos as entradas. Ele aceitou e disse não ser incômodo. Não me fiz de rogada e emendei um assunto no outro e agora me dou conta de que quase não dei chance do rapaz falar. Que vergonha! Mas não deve ter sido ruim pois já ficou pré-agendado outro almoço, desta vez num restaurante japonês que também adoro. Papo vai, papo vem, o assunto “filhos” veio à tona. Ele tem dois do primeiro casamento. No meio das experiências vividas surgiu a rotina dos filhos pós separação. Depois de ouvir a minha satisfação em ter uma relação absurdamente saudável com o meu ex marido “Que, inclusive, está agora na minha casa almoçando com o nosso filho”, ele relatou achando graça, “No último aniversário da minha filha, estávamos eu, minhas duas ex mulheres e minha atual namorada”. Tudo a ver com um almoço árabe... (rs). ... Depois de achado pelo Fantástico e transformado em sátira no youtube, Belchior agora virou expressão. Resposta de uma menina à sua amiga que perguntava por um determinado rapaz com quem a primeira teve um affair: “Sei lá, ele deu um Belchior em mim...”. Ri baldes.
Suzana Herculano-Hopuzel no Segundo Caderno de ontem: “A receita da reabilitação amorosa é tempo e abstinência, para dar chance ao seu sistema de recompensa de desaprender a esperar coisas boas com aquela pessoa”.
No início da semana minha irmã me perguntou: “Cadê fulano?”. E depois da minha resposta dizendo não ter a menor idéia, ela manda “liga não, daqui a pouco ele aparece”. “Não!”, pensei cá com meus botões, “É justamente isso que eu não quero...”. Justo agora que estou quase me convencendo de que não era nem tão bom assim, quase achando ele feio, quase me achando demais pra ele, quase acreditando que a vidinha boa que a gente levava nem era tão boa assim, quase vivendo a minha vida sem pensar no que seria se estivéssemos juntos, quase achando outros caras bem interessantes, justamente agora ele reaparece? Não! Mas quer saber? É bem provável que sim. Geralmente é assim. O outro lado percebe a nossa cura, a nossa distância, a nossa falta de contato e aí, bimba! Mostra a cara. Se não acontecia isso antes era porque a minha falta de contato não durava mais de 48 horas. Se durava mais que isso era por uma dificuldade que ele impunha em se fazer alvo fácil. Ou seja, ele desconectava do mundo e eu ficava que nem louca mandando mensagem. Pra eu ficar dois dias sem manter contato já era uma superausência! Coisa que, evidentemente, ele não achava.
Mas agora é diferente. Já fazem... Ih! Não estou mais contando o tempo? Que coisa inusitada! Juro que não sei quando foi a última vez que nos falamos ou trocamos e-mails. Só sei que brigamos. A briga foi séria e cortamos o contato. Sei que estou bem porque assuntos importantes surgiram ao longo desse tempo, (ok, nem tão importantes) que poderiam facilitar o restabelecimento de uma aproximação e nem mesmo assim eu facilitei. Estou firme e forte. E o que é melhor, já não estou jogando. Já não mais evito contato para que ele perceba que estou distante. Simplesmente resolvi tocar a minha vida. Estou tão bem que nem paro o meu dia pra falar sobre ele ou escrever posts sobre esse assunto... rs.
Mas vamos ao que interessa: Seria mágico, perfeito, um luxo, a glória, se inventassem um laxante mental. Se para aquilo que você come e te faz mal você pode expelir com uma ou duas cápsulas de laxante – isso no caso do corpo não o fazer naturalmente – imagina poder jogar na privada um mal de amor e simplesmente dar a descarga? Ok, isso foi nojento, podre e deselegante, mas que seria o must, ah, seria...
Declaração do Paulinho Vilhena durante um ensaio para uma revista: “A postura da mulher hoje é muito mais incisiva e os homens ficam meio em choque, perdidos no meio de tudo isso”.
Kelly é uma amiga com quem resgatei contato há pouco tempo apesar da nossa amizade já existir desde a adolescência. Ela é um encanto e - parece ser pré-requisito entre as minhas amigas - engraçadíssima. Há pouco tempo ela me confidenciou a vontade de sair com um menino mais novo, amigo de uma amiga em comum. Pelo pouco que ela falou do rapaz, preconizei “Vai dar merda”. Ela não deu importância ao meu comentário – eu também não daria – e foi à luta. Dias depois me ligou rindo às gargalhadas. “Sabe qual foi o comentário do rapaz a nossa amiga, no dia seguinte que saímos? Que ela não sabe, mas eu sou uma profissional do sexo”. Tudo bem, não foi esse o termo que o menino usou, mas como esse blog é elegante e meu, não vou vulgarizar ainda mais o post relatando ipsis literis o comentário do moço. Continuando. Curiosa, perguntei sobre a sua alegria. “Simone, tudo bem que ele não precisa saber, mas achei o máximo! Imagina, eu ser comparada a uma prostituta? Isso não é um baita elogio?”. É, pode ser. E não paramos por aí. A conclusão da moça foi o melhor. “Mas juro que queria poder ligar para o rapaz e perguntar porque, sendo eu uma prostituta, não lhe cobrei pelos serviços prestados, fato que seria justificado sendo ele também um profissional do ramo, coisa que o menino, indubitavelmente, frente a sua performance, não é.” Mais risos.
Comentei com a Tainah sobre o caso. Tatá conhece a Kelly e foi direta na sua análise “É o problema de quem tem cara de que gosta de sexo. A Kelly tem. E não sou só eu quem diz, alguns amigos que estavam à mesa no dia que você nos apresentou, fizeram o mesmo comentário”. Da Kelly partimos então para o tal do sexy appeal, quem tem e quem não tem. Poupamos os amigos da lista e colocamos na berlinda somente alguns famosos. Eis nossa análise: Chico foi nosso ponto de discordância. Na opinião da Tainah o ex da Marieta Severo deve ser o máximo. Eu já tenho minhas dúvidas. Definitivamente Caetano não tem. Gil também não. Aliás, penso agora que da galerinha que veio da Tropicália, pelo menos na área musical do movimento, ninguém tem. Deve ser a lembrança das madeixas... Ou não, porque se cabelo fosse problema, o Falcão do Rappa seria o último da lista e no entanto encabeça o rol como líder, mestre, sábio, guia, enfim, “o cara” do sexy appeal, prova disso é o encantamento das moças e mulheres que passam pela sua “vida”. Da Secco a Fontana, incluindo a Elis Regina, digo, Maria Rita, TODAS se declararam apaixonadíssimas pelo rapaz com provas de amor através de tatuagens e manifestações públicas. Seguindo Falcão está o Vilhena, com quem iniciei este post. Até porque, vamos combinar que um rapaz com tal sensibilidade deve ser um ás nas artimanhas do “amor”.
Vejo que o grande “problema” do sex appeal é o fato de que você tem ou não tem. É o tipo de coisa que não se aprende, não se desenvolve, não se cria, não se adquire. É ou não é. Mas eu não confundo sex appeal com química. Na minha opinião, numa relação pode existir química sem que haja o sex appeal nas pessoas envolvidas. Só que tanto um quanto outro têm características bem similares: rolam ou não rolam. Outro dia um amigo confidenciou-me certo problema em relação a sua intimidade com a namorada “Apesar de apaixonados, não nos damos muito bem na cama”. Eu, tentando animar o rapaz, até porque acredito no seu sentimento pela moçoila, arrisquei “O namoro tá no início. Daqui a pouco melhora”. Ele foi rápido “Si, não existe `melhora´ nesse quesito. Ou um casal se dá bem na cama, ou não dá”. Fui obrigada a concordar...
Atualmente, para mim, Meg Fox encabeça a lista de fomosas com sex appeal.
Pois é, se um dia me dessem o poder de ser Deus e retornássemos ao Monte Sinai, citaria a Moisés o 11º mandamento: Não Elucubrarás. Porque, na boa, ô tentaçãozinha sem vergonha.
Sentada na mesa tomando um chop com um amigo, conversávamos sobre uma outra amiga e devaneei sobre sua postura em certas situações. Ele, de um deboche único, encerra o assunto “não elucubremos”.
Não sei se aprofundamento nas questões irrelevantes é coisa de mulher, mas que buscar chifre em cabeça de porco me parece uma virtude puramente feminina, ah é sim! Perco horas tentando decifrar bilhetes, mensagens, frases e reações – evidentemente daqueles de quem realmente gosto – a fim de descobrir algo nas entrelinhas, ir além do dito, vislumbro intenções, quando na verdade não havia qualquer outro intento da pessoa em dizer algo além do que ali estava de fato escrito. Nesses dias recebi um recado, via Orkut, onde se lia “preciso falar com você”. Pronto. Passei o dia com a cabeça girando a mil, tentando imaginar o que teria feito a tal pessoa escrever uma mensagem como aquela. Buscava nas três palavras e no ponto ao final da mensagem uma escapadela de emoções que me dessem uma dica de qual seria o pretexto. “Ele não escreveria algo tão simples a essa hora se não quisesse algo mais”, pensei. Até o fato de não ter citado o meu nome, como habitualmente faz, me encheu de excelentes interpretações e elucubrações, “Ele quer mostrar que está chateado e que por isso eu devo fazer o contato ao invés de esperar que ele o faça”. Tá vendo? Definitivamente sou uma mulher com uma incrível capacidade criativa.
Quantas brigas de casais não surgem sem qualquer necessidade apenas por elucubrações? Por isso, tenho certeza que se Deus tivesse tido essa sacada, mais que a metade dos problemas nas relações estaria resolvida. Mas não no meu caso, até porque, além de questionar a existência de Deus, eu sempre adorei os devaneios e as desobediências (rs).
Com a empregada de férias, descobri que uma faxina em casa pode ser tão reveladora e provocar mudanças tal qual uma ida a um terapeuta. Bom, nunca fiz terapia, mas imagino que seja. Ao contrário das outras férias da moça, dessa vez resolvi não contratar uma diarista e, vestida de maria, coloquei a mão na massa. Existem cantos na nossa casa, e na nossa cabeça, que escondem sujeiras e você, por cansaço, preguiça ou receio, deixa lá, quieto, sem que ninguém veja. O tempo passa e você acaba esquecendo aquela “sujeirinha”. Mas no dia da faxina ela aparece. Incomoda, irrita, preocupa. E você não tem alternativa a não ser limpá-la. Arrasta móveis, tenta alcançá-la com a vassoura, às vezes até se machuca numa manobra contorcionista para tentar tirar aquela poeira. Metaforicamente, abrir arquivos da cachola exige o mesmo esforço. Dá uma mão de obra danada você resgatar memórias pra tentar resolvê-las, e porque não dizer limpá-las, pra seguir em frente. Voltando à faxina, além da limpeza, surgem as mudanças. Arrumando a casa você percebe processos diários que não estão dando certo. Os documentos não estão no lugar, as roupas velhas não foram doadas e ocupam espaço de onde novas roupas poderiam estar. Na faxina você também resgata memórias. Umas boas, outras não. E obrigatoriamente você tem que lidar naquele instante com tais lembranças e com os sentimentos provocados. A faxina-terapia é um processo desgastante. O começo dá a impressão de que você não terá êxito frente a tanta imundice e desarrumação encontradas. Mas aí passa o tempo. Você realizada um árduo trabalho de abrir gavetas e arrumar as tralhas. Tudo agora está limpo. A sensação de leveza é gratificante. Você senta no canto da sala, olha ao redor e se redescobre limpa, mudada e realizada, mesmo sabendo que, infelizmente, uma boa faxina não dura pra sempre...